segunda-feira, 17 de setembro de 2018

NUNCA É DEMAIS RELEMBRAR EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO para refletir sobre a atualização da PNEE-PEI... Neste caso quanto à INCLUSÃO DA PESSOA SURDA...




Desenho em linha simples com quatro imagens representando pessoas separadas 
usando LIBRAS e dizendo o texto: Não entendeu, aprenda LIBRAS. 

[Em 2011 Inclusive - Educação e Cidadania postou em seu site a situação d@ estudante surdo no estado de Santa Catarina compartilhando a EXPERIÊNCIA DE SUCESSO na inclusão das pessoas surdas nas escolas regulares. 

Primeiro esta matéria mostra que a Inclusão é POSSÍVEL, mesmo quando se trata de um grande desafio como é o caso da barreira da linguagem e fala oral, que permeia todas as interações sociais nas sociedades humanas. LIBRAS é a LíNGUA dos Surdos!]



Segundo, a matéria mostra o papel da Universidade para transformar a política local... A Universidade Federal de Santa Catarina possui o Programa de Pós-Graduação em Educação  no qual a Profa. Dra. Ronice Muller de Quadros(leia um resumo de sua formação e contribuições fundamentais na área) tem papel crucial neste processo de mudança e reconhecimento do direito d@s estudantes surd@s no estado, nas escolas, pela comunidade educacional e sociedade catarinense porque fundou o Núcleo de Aquisição de Línguas de Sinais (NALS) e o Grupo de Pesquisa Corpus de Libras (2014-atual) que desenvolve projetos de pesquisas envolvendo a documentação de Libras.].  



Programas de inclusão nas escolas atingem 1.050 alunos surdos em Santa Catarina (9 de junho de 2011)

Escolas públicas devem ter salas multimeios e oferecer intérprete para aprender Libras

Desde a Constituição de 1988, o Brasil adota a política de integração em escolas regulares. O decreto 5626, de 2005, ampliou esse direcionamento, determinando que as instituições brasileiras responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com alguma deficiência auditiva, que passam dos 5,7 milhões, segundo a Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo - FENEIS.

A professora de educação especial Rosângela Kittel explica os impactos do decreto:
— Antes, o trabalho era de convencimento dos pais e mesmo dos diretores, para que esses alunos frequentassem as escolas regulares. Depois, é que a escola se tornou integradora mesmo, investindo em um olhar diferenciado dos professores — explica.

No Estado de Santa Catarina, os programas de inclusão nas escolas atingem quase 1.050 alunos surdos, de acordo com a Federação Catarinense de Educação Especial. 

Na Grande Florianópolis, 50 estão matriculados só nas escolas municipais. Para integrar esses alunos e todos aqueles que precisam de um acompanhamento extra, por determinação federal, as escolas públicas devem contar com salas multimeios, espaços onde profissionais de educação especial desenvolvem trabalhos para ampliar as condições de aprendizagem.


Os surdos desenvolvem exercícios visuais e têm apoio de um instrutor para aprender Libras como primeira língua — e o português como segunda.


Além disso, é direito que eles tenham um intérprete até o fim do Ensino Médio e um professor bilíngue acompanhando as aulas até o 5º ano — porque as crianças menores ainda não têm domínio da linguagem de sinais.

A Escola Básica Intendente Aricomedes da Silva, na Cachoeira do Bom Jesus, teve que investir, este ano, em projetos para ensinar Libras a todos os professores, aos quatro surdos matriculados e aos demais alunos. A professora da educação especial da sala multimeios da escola, Rosângela Kittel, conta a boa disposição das crianças:

— Quando aprendem alguma palavra em Libras, eles mostram uns para os outros. Dá orgulho fazer os sinais de “Vamos brincar?”.

Ela explica que o convívio entre as crianças em uma escola regular é importante porque ideias abstratas, como ontem ou amanhã, são aprendidas de forma informal. 

Mas Rosângela ressalta que o ensino para os surdos ainda não tem a amplitude que deveria. Segundo ela, faltam alguns conceitos, mesmo para os professores, e ainda há segregação dos surdos.

Hamilta dos Santos sabe que Luiza, de 10 anos, passa por momentos de dificuldade na escola por não escutar e conta que a filha é mais amiga dos outros surdos.

— Mas ela sempre ficou na mesma escola, não sei como seria de outra maneira, se ela tivesse em uma escola só para surdos — comenta.

Para a professora Daiele Althaus, as vantagens das escolas inclusivas serão ampliadas quando todos os colegas e professores aprenderem a se comunicar com os surdos e quando as crianças surdas aprenderem Libras desde cedo.

— Se for ensinado, assim como o bebê que escuta fala “mamãe”, o surdo pode reproduzir o sinal de “mamãe”. Só a primeira língua é diferente — explica Daiele.
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Fonte: http://www.inclusive.org.br/arquivos/19812 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O novo conceito de DEFICIÊNCIA... quais estudantes devem, então ter acesso aos serviços da Educação Especial?

[No contexto da Atualização da PNEE-PEI 2008 é fundamental se refletir sobre o conceito de deficiência:

Como a deficiência é definida hoje? 

Quem são pessoas com deficiência desde esta nova concepção? 

Qual, então, deve ser o público alvo da Educação Especial?

Ou seja, quem fica de dentro e quem fica excluído do serviço de Educação Especial na Sala de Recurso Multifuncional?]

Para nos ajudar a refletir sobre este tema,  a Dra. Izabel Maior ministrou uma aula no dia 29 de junho de 2018, no Tribunal Regional do Trabalho 2, em São Paulo. Em torno de 300 pessoas estiveram presentes no Auditório do TER 2 (SP).


A Dra. Izabel Maior é uma pessoa com deficiência física. Formada em Medicina, lecionou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Coordenadora da CORDE, primeiro órgão dentro do governo federal a utar pelos direitos da PcD. Foi também a Primeira Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e participou da redação da Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, o documento da Organização das Nações Unidas que serviu de base para muitos diplomas legais que tratam do tema e que trouxe essa nova compreensão sobre o assunto. 

De acordo com a Dra Izabel, o conceito de deficiência é um conceito em evolução, e a deficiência não é causada por modificações na estrutura física ou mental dos indivíduos, mas pela existência de diversas barreiras (arquitetônicas, atitudinais etc.), que os impedem de atuar na sociedade em igualdade de oportunidades com relação aos demais. 

"Nós partimos de um modelo da deficiência chamado biomédico, em que deficiência acabava como sinônimo de doença, tratada como algo individual, da esfera privada e de responsabilidade da própria pessoa e de seus familiares. A Convenção diz que nós temos que assumir o modelo da deficiência do ponto de vista social, da deficiência como parte da diversidade humana, sendo, portanto, uma questão coletiva, da esfera pública e de responsabilidade da sociedade, dos governos e da sociedade em geral", explicou. 

Dessa forma, a pessoa com deficiência deixa de ser vista como doente e passa a ser considerada uma pessoa de direitos, especialmente o direito instrumental à acessibilidade, sem o qual os demais não são alcançados.  Ela observou ainda que, para atingir essa igualdade de oportunidades, é necessário que haja engajamento da sociedade, para que sejam exigidas as políticas públicas pertinentes. Entre essas políticas, estão as chamadas ações afirmativas que, como lembrou a professora, têm caráter preventivo, não punitivo, e são importantes, já que a igualdade perante a lei não dá automaticamente acesso ao direito. 

Fazem parte das ações afirmativas as leis que reservam um percentual de vagas para pessoas com deficiência em universidades, cargos públicos ou na iniciativa privada, ou aquelas que preveem a possibilidade de aposentadoria antecipada para essas pessoas, entre outras medidas. 

No evento, ainda foi possível discutir de forma pormenorizada assuntos mais específicos sobre a questão, como o desafio e a necessidade de se estabelecer um critério mais exato e justo de aferição da deficiência, que leve em conta não só a Classificação Internacional de Doenças (CID), mas também que considere a pessoa com deficiência em seu contexto individual e social, dentre outros temas. 

Clique a seguir para assistir à esta importante aula: 
o novo conceito de deficiência

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

DICAS PARA JORNALISTAS PARA COBRIR A ATUALIZAÇÃO DA PNEE-2008


O que um/a jornalista tem que ter em mente para cobrir com qualidade a Atualização da PNEE-PEI 2008, segundo o JEDUCA!

Em busca de novidades sobre a Atualização da Política de Educação Especial 2008, encontrei na web uma matéria de excelente qualidade jornalística, que merece ser divulgada porque trata da produção de um jornalismo responsável e imparcial, mas informativo. 


Infelizmente, muito do que é produzido no jornalismo brasileiro é, historicamente, tendencioso e, portanto, traz a posição política do jornalista ao invés das múltiplas visões e concepções em torno de um tema polêmico. Fazer uso do jornalismo ou das mídias para confundir, independentemente da ´verdade´dos fatos (que sempre podem ter múltiplas interpretações, me lembra a razão pela qual os regimes ditatoriais (como aconteceu no Brasil) imediatamente impedem a mídia de se expressar e tomam posse das agências de noticias porque elas são fundamentais para formar opinião, entendimentos, concepções e ideologias... 

Por isso, a iniciativa do JEDUCA deve ser disseminada, parabenizada e merece destaque no âmbito do debate em torno da Atualização da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 2008. Conheça o JEDUCA clicando AQUI

Você pode também ler a matéria aqui no BLOG, na próxima postagem...

A seguir divulgamos as dicas para jornalistas fazerem matérias de qualidade sobre a Atualização da PNEE-PEI 2008

O que o jornalista precisa ter em mente nessa cobertura é procurar levantar informações que colaborem para trazer para o debate público elementos que ajudem na compreensão da própria política, seus efeitos e os desafios existentes. Não é simples fazer essa cobertura porque, de um lado, ela envolve conceitos e aspectos legais bastante específicos que precisam ser bem compreendidos.

Além disso, existe uma carência de dados. Não se sabe, por exemplo, o tamanho do público-alvo de educação especial no Brasil, já que inexistem dados que dimensionem a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e superdotação/altas habilidades.

Esse fato impõe uma série de dificuldades para a implementação de políticas e monitoramento de metas – inclusive a Meta 4 do PNE, que prevê a universalização do atendimento educacional especializado desse grupo preferencialmente na rede regular de ensino até 2024. Afinal, se o tamanho da população é desconhecido, não há como saber quantas crianças e adolescentes estão fora da escola. Os dados disponíveis são do Censo Escolar, que permitem um retrato parcial da realidade (como compreender características da trajetória escolar desses estudantes, por exemplo).

Também são escassas as informações disponíveis sobre financiamento dos programas governamentais associados à implementação das políticas de educação especial/inclusão, o que pode merecer um esforço de investigação dos jornalistas.

A formação dos professores, sobretudo a formação continuada, e demais profissionais da escola é um fator crucial para a inclusão, constituindo outra frente de análise para quem está na cobertura.

Não menos importante, nessa cobertura, é ir às escolas. O jornalista precisa ouvir professores, gestores, os próprios estudantes e suas famílias sobre a educação que recebem e suas expectativas.

#MartaAvancini #PNE #PNEEPEI #PoliticaNacionaldeEducacaoEspecialnaPerspectivadaEducacaoInclusiva #MaisDiferenças #LaillaMicas #InstitutoRodrigoMendes #Educacaoinclusiva #educacaoespecial #CarlaMauch #DeOlhonoPNE
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Fonte: http://jeduca.org.br/texto/revisao-da-politica-de-educacao-especial-pelo-mec-cria-polemica 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Revisão da política de educação especial pelo MEC cria polêmica - JEDUCA


A matéria a seguir, do JEDUCA, possui qualidade porque informa e apresenta diferentes visões, incluindo a do MEC... Todavia, cabe destacar que outros encontros já foram realizados desde a data de publicação desta matéria. Vide outras postagens deste BLOG. 

JEDUCA é "uma associação criada por jornalistas que cobrem educação, para apoiar 
colegas que trabalham com o tema (todos os dias ou de vez em quando)."

Acesse a próxima postagem com DICAS para Jornalistas sobre como elaborar uma matéria de qualidade que informe de forma apropriada @s leitor@s interessad@s no assunto.


Medida anunciada por ministério causa mobilização de entidades para as quais é preciso fortalecer escolas regulares como espaços de formação de alunos com deficiência; tema ainda não ganhou força no noticiário.                                              por Marta Avancini  (28/05/2018)


O debate em torno da atualização da PNEEPEI (Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva) foi um dos temas do webinário realizado em maio pela Jeduca e pelo movimento Todos pela Educação sobre a Meta 4 do PNE (Plano Nacional de Educação), que aborda a educação especial/inclusiva. O assunto ainda não ganhou força no noticiário, mas já está mobilizando os movimentos e organizações ligadas aos segmentos envolvidos – os estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e superdotação/altas habilidades.

A notícia sobre a avaliação e possível atualização da política de educação especial e inclusiva foi dada pelo MEC (Ministério da Educação), que publicou nota em seu site sobre uma reunião com representantes de entidades ligadas ao setor para apresentar as diretrizes e os conceitos orientadores da revisão em estudo. 

Não é a possível atualização da PNEE-PEI 2008, mas a atualização contecerá após a fase de publicização do documento proposto pelo MEC para Consulta Pública, prevista para SETEMBRO de 2018, conforme tratado na postagem deste blog http://pnee2018.blogspot.com/2018/07/formulario-de-sugestoes-para-proposta.html 

Segundo o MEC, o objetivo é promover a “inclusão efetiva e não apenas a matrícula”, além da “acessibilidade plena a todos os recursos que viabilizem o crescimento e aprendizagem dos alunos”. O texto informa ainda que será realizada uma consulta pública (prevista para setembro 2018 após a análise da compilação de dados realizada nos estados e municípios) sobre o assunto para receber contribuições da sociedade, ainda sem data definida.

Outro motivo, de acordo com o ministério, é a necessidade de atualizar a política frente aos marcos legais aprovados após 2008, o que inclui mudanças na LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação).

“Esses marcos legais trouxeram exigências que devem ser observadas, entre elas alterações de terminologias e conceitos, a exemplo da denominação de transtornos globais do desenvolvimento, atualizada para transtornos do espectro autista, bem como a área das altas habilidades/superdotação, cuja identificação dos estudantes ainda é um grande desafio a ser enfrentado, com propostas de atenção especializada a serem desenvolvidas”, informou o MEC.


Diferenças de perspectiva

O debate sobre a política é visto com bons olhos pelos atores envolvidos, mas não existe consenso entre as organizações e grupos sobre as mudanças. Há grupos favoráveis à revisão, e outros que temem que a proposta do MEC altere a concepção de educação inclusiva atualmente em vigor, a qual preconiza que esses alunos sejam matriculados em classes comuns, junto com os demais estudantes. Para esses setores, além de não haver contradição entre a PNEEPEI e a legislação em vigor, é preciso manter e fortalecer as escolas regulares como espaços de formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e superdotação/altas habilidades.

Como reiterou durante o webinário a jornalista Lailla Micas, do Instituto Rodrigo Mendes, é fundamental preservar alguns princípios preconizados pela legislação em vigor. “Não se pode permitir retrocessos de pontos que vêm sendo acompanhados ao longo dos anos e têm melhorado”, diz ela, referindo-se aos dados de matrícula dos estudantes com necessidades educacionais especiais.

Dados do Censo Escolar, compilados na plataforma Observatório do PNE, apontam que, do total de matrículas desse grupo de alunos, 82% eram em escolas comuns no ano de 2016. Essa proporção representa uma inversão da tendência no período anterior à política, quando predominavam as matrículas em escolas especiais (ou seja, que atendem exclusivamente crianças e adolescentes com alguma deficiência ou outro tipo de necessidade educacional específica). Em 2007, menos da metade dessa população (46,8%) frequentava uma escola comum.

De acordo com Lailla, na perspectiva da inclusão é fundamental manter e ampliar o número desses estudantes em escolas comuns. “É papel da sociedade, segundo a legislação em vigor, eliminar as barreiras para que haja equiparação de oportunidades. Isso significa colocar as pessoas em ambientes comuns. E o atendimento educacional é feito pela escola”.

Nesse contexto, explica a jornalista, o AEE (Atendimento Educacional Especializado) é um dos recursos que garantem a equiparação de oportunidades da pessoa com deficiência dentro da escola, e por isso deve ser exercido preferencialmente na rede regular de ensino. “É somente colocando essas pessoas nas escolas que a gente consegue compreender os desafios, para enfrentá-los e fazer as mudanças de práticas pedagógicas e de gestão necessárias.”


O papel do AEE

A oferta de AEE em escolas é um dos pontos que estão no cerne do debate e deverá ser um dos aspectos enfocados na atualização da política, segundo informou a diretora de Educação Especial do MEC, Patrícia Raposo.

A política em vigor preconiza que os professores da sala de aula comum e os de AEE trabalhem em conjunto, criando e implementando estratégias capazes de promover a aprendizagem e a socialização dos estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e superdotação/altas habilidades. Entretanto, diagnóstico realizado pelo MEC em nível nacional, cujos resultados foram apresentados na reunião com as entidades, apontam para um baixo grau de articulação entre o professor da sala comum e o professor de AEE.  

Em matéria sobre o assunto, a Inclusive, agência de notícias especializada em inclusão, contextualiza o debate no âmbito legal nacional e internacional, apontando os efeitos de cortes de recursos sobre os programas na área da educação especial. A agência divulgou o power point apresentado na reunião no ministério.

Um dos resultados da avaliação apresentados pelo MEC aponta que uma minoria de alunos com necessidades educativas especiais matriculados em escolas comuns recebe atendimento especializado: em 2016, eram 36,8%, proporção considerada baixa pelo ministério (clique aqui para ver a apresentação)

Reações à proposta

O Fórum Nacional de Educação Inclusiva publicou um documento que questiona os argumentos apresentados pelo MEC. Entre as ressalvas está a de que nem todo aluno com necessidade educativa especial precisa, necessariamente, do AEE.

Além disso, o documento diz que as definições e caracterizações propostas pelo ministério podem dar margem a um retorno a um modelo da educação especial como um sistema paralelo ao ensino regular, com salas e escolas especiais para estudantes com deficiência e outras necessidades específicas.

Outra crítica que surgiu diz respeito ao fato de entidades historicamente envolvidas no debate sobre educação especial/inclusiva não terem sido convidadas para a reunião do MEC.  Nesse contexto, o Comitê Diretivo do Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil) enviou ofício ao ministério solicitando que movimentos sociais, universidades e entidades de classe sejam ouvidas e consideradas no processo, como informa texto em seu site.

Segundo os críticos, essa questão é relevante, pois a maioria das organizações convidadas seria favorável à diversificação dos espaços de atendimento especializado aos estudantes, de modo que ele não seja ofertado, necessariamente, na escola comum.

A Rede Brasil Atual noticiou que a Associação de Magistrados do Rio de Janeiro enviou ofício ao MEC solicitando uma audiência para discutir a proposta de atualização da PNEEPEI antes da consulta pública. A entidade considera que as propostas apresentadas são “inconstitucionais e restritivas aos direitos dos alunos da educação especial”. Outras entidades também enviaram oficio ao ministério, questionando a proposta.

Em resposta à reportagem, que procurou o MEC, a Assessoria de Comunicação informou que haverá consultas a especialistas e a entidades representativas da sociedade civil, bem como a representantes dos sistemas de ensino. Depois disso será elaborada uma proposta inicial que ainda irá para consulta pública, para que a sociedade possa dar sua  contribuição.


Fonte:

terça-feira, 7 de agosto de 2018

ENCONTRO SOBRE A ATUALIZAÇÃO DA PNEE-PEI 2008 realizado em Indaiatuba - slides disponíveis!



No dia 25 de Julho de 2018, a ONG Ed-Tod@s em parceria com a Prefeitura Municipal de Indaiatuba, realizou o evento Chá & Reflexão no CIAEI de Indaiatuba com o objetivo de discutir a Atualização da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 2008 por meio da promoção de um encontro com profissionais da área de educação atuando em escolas (professor@s de AEE e de sala de aula regular, gestor@s),  gestor@s de municípios, pessoas com deficiência e suas famílias, representantes de ONGs que atuam com pessoas com deficiência e acadêmic@s.  

Estiveram presentes no encontro 27 participantes, dentre os quais três pessoas com deficiência (duas surdas e um cego) que fazem ou fizeram parte de movimentos sociais.

Inicialmente foi solicitado que cada um/a escrevesse sobre os pontos chaves a serem discutidos na atualização da PNEE-PEI 2008 desde a referência de sua área de atuação, cujos dados serão apresentados em outra postagem. A seguir a Professora Windyz B. Ferreira, Presidente da ONG Ed-Tod@s fez a apresentação que foi dividida em três partes: 

(1) breve histórico da Política de Educação Especial com o foco nos estudantes da EE a partir da publicação das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (2001) e do documento Sala de Recursos Multifuncionais (republicado em 2006 pela extinta SEESP) e 

(2) apresentação dos slides da SECADI usados na reunião do dia 16 de abril de 2018 com vistas à clarificar elementos contidos nestes slides que têm sistematicamente circulado pelas redes  sociais.

(3) rodada de comentários, perguntas e compartilhamento de experiências e visões (vide a proxima postagem)

De acordo com @s participantes há um sentimento generalizado de temor e dúvidas causada pelos rumores que atualmente circulam sistematicamente na internet.  Por isso a oportunidade de sentar com os pares e ter acesso a dados mais consistentes, poder se manifestar, refletir junt@s e fazer perguntas sobre a atualização da PNEE-PEI constituiu um momento de extrema importância para @s participantes.

Consideramos, portanto, que nossa iniciativa poderia constituir um modelo a ser seguido por organizações de pessoas com deficiência, escolas, ONG que atuam na área, grupos de famílias e, em especial, secretarias de educação. Se grupos (organizados ou não), profissionais da área de educação e pessoas se reunirem para compreender o que está acontecendo, para discutir o conteúdo dos slides e para se preparar para a etapa da consulta pública, certamente nossa presença e contribuição será mais efetiva.


A fim de contribuir com o processo, tornamos disponíveis os slides apresentados no encontro. Cabe aqui destacar que os slides da SECADI (originais com fundo preto) tiveram apenas o layout modificado, mas não o conteúdo.

Compartilhem e comentem! 




domingo, 22 de julho de 2018

Formulário de sugestões para a proposta de atualização da Política Nacional de Educação Especial

Formulário de sugestões para a proposta de atualização da 
Política Nacional de Educação Especial


OBS: Estes são os tópicos do Formulario e para cada um deles há um quadro que deveria ser preenchido e encaminhado pelas pessoas convidadas para a reunião do dia 25 de Junho de 2018 para a reunião que aconteceu em São Paulo e pelas secretarias de educação de municípios. 

Contribuições

Listamos a seguir alguns aspectos da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEE-PEI - 2008).

Deixe sua contribuição a respeito dos tópicos que acredita que merecem algum tipo de atualização ou alteração. Caso possua contribuições que não se encaixem nos aspectos levantados, inclua no campo "Outros".

1) Estudantes apoiados

2) Marco Legal

3) Termos e Conceitos

4) Atores e seus Papeis

5) Recursos e Serviços

6) Formação de Gestores e Professores

7) Identificação do Estudante a ser apoiado

8) Educação Especial na Educação Superior

9) Outros


Comentário sobre a Nota de Repúdio da ANPED...



Como desde o inicio consta deste blog, inúmeras outras reuniões já aconteceram depois da 1a. realizada em 16 de abril mencionada na Nota de Repúdio da ANPED, ou seja, o processo de coleta de sugestões continua - aparentemente - a todo vapor... 

Concordo com as razões políticas apresentadas na posição de repúdio da ANPED. Todavia, preocupa-me o fato de que quando se trata de Governo Federal, as decisões não consideram repúdio ou manifestações da sociedade civil organizada, a não ser que estejamos tão organizados que temos força política para impedir um processo que está em curso ou, pelo menos, corrigir seu percurso. 

Ainda não sei, contudo, qual percurso que se quer construir porque não há clareza de posições da sociedade civil sobre pontos chaves da PNEE-PEI 2008. 

Por exemplo, no documento da ANPED o repudio se justifica pelo 

"baixo índice de representatividade e aprovação popular do Governo Michel Temer; o fato desse governo estar no período final de seu mandato; estarmos em um ano eleitoral para Presidência da República, Congresso Nacional, Governos Estaduais e Assembleias Legislativas dos Estados da Federação, consideramos inapropriado e ilegítimo que uma revisão/atualização da Política de Educação Especial seja realizada nesse momento." 

O argumento tem como base, portanto, as atuais péssimas condições/crise ético-político-partidária e a impropriedade da época para se proceder à atualização da PNEE-PEI 2008, argumentos com os quais concordo e assino embaixo! Contudo, para além desses temas, considero que agora é mais importante nos organizarmos enquanto sociedade civil e manifestarmos nossas posições juntas/os, em alto e bom som, do que apenas repudiar, repetir textos feito papagaio como tem acontecido pós documento da Profa. Maria Teresa Mantoan e Claudia Dutra (ex-SEESP) ou, simplesmente, silenciar.  

O uso do termo ´ílegitimidade´ no texto da ANPED, para mim, não procede porque associações, grupos, organizações, acadêmic@s e outras representações estão participando deste processo inicial e, para além desta participação representativa, está assumido publicamente pelo Ministro da Educação que haverá Consulta Pública a partir de setembro de 2018... Então, isso quer dizer que a consulta pública não será legitima somente se as contribuições não forem consideradas, certo? Mas se forem consideradas, como podemos considera-las ilegítimas? 

Quando serão as eleições?

O primeiro turno será em 07 de outubro e o segundo em 28 de outubro de 2018. Então... 

- será mesmo que haverá tempo suficiente para que este documento seja finalizado e lançado antes das eleições se ele irá a consulta pública somente em setembro? 

- será mesmo que os candidatos ou partidos terão tempo suficiente para negociar ou usar uma ´nova política de EE´ em seu benefício? 

-  será que o documento bomba lançado em maio (e assinado pelas Profa. Dra Maria Teresa Mantoan da UNICAMP e a ex-Secretaria da Educação Especial Claudia Dutra, cuja vinculação partidária com o PT todos/as conhecem) conseguiu deixar tod@s confusos a ponto de ficarem na periferia da especulação sobre o que está em curso?

- será que esta confusão vai, de fato, levar as pessoas interessadas a perderem a oportunidade de participar de mudanças relevantes na referida política?

Enfim, nunca é demais lembrar novamente que as professoras acima referidas -  defensoras ferrenhas da Educação Inclusiva para o público ´alvo´(!) da educação especial - foram responsáveis pela extinção da Secretaria de Educação Especial e, consequentemente, pela imensa redução das verbas destinadas à política.

E o que nós fizemos então? NADA!!!  

Enfim, algumas questões chave e muito mais relevante agora são: 

- Qual é a nossa posição com relação ao PNEE-PEI 2008? 

- Como podemos assegurar contribuições de qualidade?

- Como garantir a participação de pessoas com deficiência e suas famílias neste processo?

Honestamente, neste momento não me interessa o Temer ou o Lula, a APAE ou as escolas públicas e privadas!  O que me interessa agora, neste contexto específico, é discutir, debater, refletir, estudar, aprender, ouvir e clarificar rumores, fofocas, dúvidas, etc. O que me interessa é mesmo discutir qual é a melhor política para assegurar que as pessoas com deficiência, com TEA, com altas habilidades e superdotação, com necessidades educacionais diversas tenham asseguradas seus direitos a uma educação que lhe possibilite a melhor das oportunidades para se desenvolver, aprender e viver entre todos/as.  

Li e reli a Nota da ANPED em busca de sentido para o que está acontecendo no meio acadêmico da área de Educação Especial ( de um lado) e de Educação Inclusiva (do outro) porque ambas são orientações educacionais absolutamente opostas: 


- enquanto a educação especial segrega (nas Salas de recursos multifuncionais) a educação inclusiva inclui/integra/torna o estudante parte da comunidade da sala de aula regular; 

- enquanto a educação especial oferece serviços de apoio de base terapêutica e não educacional,a educação inclusiva busca planejar a aula e o currículo de forma diferenciada para que todos/as participem sem discriminação de qualquer ordem; 

- enquanto a educação especial se define com base nas deficiências (deficiência disso, daquilo, e mais daquilo outro) do público-´alvo´, a educação inclusiva assume a diversidade humana e as diferenças individuais existentes na sala de aula como valiosas para o enriquecimento de todos/as...


E... por aí vai!  

Por isso, continuo defendendo articulação, manifestações de grupos organizados e, principalmente, da academia que permanece desarticulada e com sussurros de  contestação! 


Fico me perguntando se as pessoas têm medo de retaliação? Será que isso é ainda ranço da ditadura ou é mesmo uma posição que tem política partidária como fundamento?